3- Amor dura para sempre
2/8/2008 - 15:28
Ok, você irá dizer que isso já foi falado anteriormente de modo muito sutil, mas então qual seria o porquê deste tópico?
Sabemos que o amor e a paixão são versões do mesmo processo vinculativo, e que os mesmos tendem a ter uma ordem genericamente certa nesta relação. Primeiro tendemos a nos apaixonar e depois de alguns anos sustentando esta paixão, eis que a mesma dá lugar a um sentimento mais fraternal. É bem verdade também que é difícil a retomada destes altos níveis de paixão após vários anos de relacionamento, mesmo que desejável. O amor e a paixão são, então, estados motivacionais de investimento na pessoa amada, uma espécie de busca de prazer e de realização através de uma condição social: ser amado também!
O que algumas pessoas não conseguem entender ainda é a sutileza cognitiva pela qual esquecemos uns dos outros. No fim de relacionamentos é comum a dor e a rememoração quase que obsessiva dos planos mal sucedidos, de um futuro em comum e até das dúvidas não respondidas. E é nesta fase que acabam coexistindo concepções inadequadas da auto-imagem com a percepção do outro, como, por exemplo, a idéia de que “o amor virou ódio”, “nunca mais será possível amar alguém novamente” ou que “nunca esquecerei aquela pessoa”.
Logo, pense nisso, se tomarmos como métrica a matemática dos relacionamentos amorosos, é muito mais vantajoso para a raça humana ter esta função de vinculação com tendência a expirar em alguns anos do que toda a população da terra nos divãs rememorando seus seis ou quarenta grandes amores na vida. A natureza é sábia, cria um mecanismo natural de afastamento entre o par assim que percebe que nada de novo está sendo conquistado. Infelizmente este mecanismo também tem seu lado sombrio, que é a sua ocorrência quando tudo está bem no relacionamento.
Aquela estratégia que nossos antepassados falavam, de sempre reconquistar e não deixar o relacionamento cair na rotina, ainda são atuais. Pois se não há re-conquista, não ocorre a geração de mais créditos de paixão.
Há uma pequena exceção a este mito, você sabe qual é? É um tipo de amor qu modifica para sempre o cérebro das mulheres, e em quase 99,9% dos casos é irreversível. Pois é, este é o amor de mãe. Com os baldes de ocitocina jorrados no cérebro feminino no momento da gestação, as mães são afetadas para o resto da vida.
Viva o único amor eterno real então!
4- Ele(a) vai mudar depois do casamento
21/7/2008 - 23:12
Hummm... essa moda já está old fashion há muito tempo. No entanto vez ou outra podemos encontrar, andando entre nós, pessoas que após um relacionamento fracassado dizem “eu achei que ela(e) ia mudar depois do casamento”. Os ditos populares já dizem que depois do casamento os “maus costumes” não desaparecem, ao contrário, podem até aumentar. Estes maus costumes podem ser desde praticar o esporte de pular a cerca, de ser um pouco mal-humorada em demasia, de ser acanhada demais ou de não conseguir manter a casa arrumada por mais de um dia. Não importa o tipo de mau hábito adquirido exista: se há um momento de mudanças e de conquistas, definitivamente este momento não costuma ser dentro do casamento.
Como todo mito, existe sempre a exceção. Porém, a regra costuma ser de que antes de chegarmos a uma zona de conforto, tendemos a fazer certos esforços ou conceder determinadas concessões. Quando casamos, entramos em uma zona de conforto que não implica em um objetivo maior. Como o perigo da instabilidade parece estar longe, aquela preocupação maior com o cuidado com o outro parece sofrer certa defasagem.
Por isso não cobre mudanças para fortalecer mitos em que você acredita. É desejável que o sentido da mudança seja entendido como uma possibilidade real do casal.
E que fique bem claro, o processo de mudança é possível e, além disso, é desejável. É possível, pois demonstra a nossa capacidade de acreditarmos na nossa influência no comportamento da pessoa que amamos. E é desejável, pois aumenta o nosso nível de intimidade e expectativa, e quando temos expectativas sobre alguém, estamos deixando aquela pessoa mais forte em nossas referências. E como vocês verão nos posts seguintes... Referência é tudo!
E-mail da leitora
25/6/2008 - 23:22
Recebi há alguns dias atrás uma pergunta por e-mail que julguei interessante, e a pessoa que fez também, de compartilhar com vocês. “Como reduzir a infidelidade?”
Considerando o s textos anteriores e a necessidade de compreensão da infidelidade como sendo algo comum da natureza humana, mas desejável apenas na casa do vizinho, saliento que existem dois níveis de atuação para a redução deste fenômeno. E entendam que meu papel não é de defender a moral e os bons costumes, mas de aproximar mais a ciência do conhecimento cotidiano do comportamento humano.
O primeiro destes níveis é a estrutura social que nos inserimos. Dentro da psicologia existe o conceito de “aprendizagem social” que nos trás a noção de que nossos comportamentos são inspirados por modelos, e mesmo que não estejamos atentos para aprender coisas novas, aprenderemos passivamente. Difícil é, então, para um pai ensinar um bom modelo se o mesmo não é capaz de honrar sua palavra com atitudes. Nas estratégias de vinculação humana o cenário torna-se assustador se fizermos um parecer da tríade da Mídia + Cultura de amigos(as) + Oferta de Mercado. O papel da mídia, há muito discutido sobre a erotização excessiva e constante (inclusive de crianças) associado aos valores que a infidelidade possui nos grupos sociais e a grande quantidade de assédio dos “outros(as)” faz com que esta prática seja mais comum e bem aceita que há 30 anos atrás.
O segundo nível é o da organização individual de pensamentos. Hoje em dia não deveríamos mais pensar por que motivos Fulana deu aquele salto Duplo Carpado Dayane dos Santos por sobre a cerca, mas sim, por que motivos ele não deu. A raiz deste dilema é simples, a organização de valores é o que prevalece. Não digo que quem trai não tem valores, tem, porém mais auto-referenciados que os que não fazem isso. Um bom exemplo disso é o Dilema do Prisioneiro. Um bom exemplo de como nossos valores funcionam, e muitas vezes nos traem:
DILEMA do PRISIONEIRO
Dois suspeitos, A e B, são presos pela polícia. A polícia tem provas insuficientes para os condenar, mas, separando os prisioneiros, oferece a ambos o mesmo acordo: se um dos prisioneiros, confessando, testemunhar contra o outro e esse outro permanecer em silêncio, o que confessou sai livre enquanto o cúmplice silencioso cumpre 10 anos de sentença. Se ambos ficarem em silêncio, a polícia só pode condená-los a 6 meses de cadeia cada um. Se ambos traírem o comparsa, cada um leva 5 anos de cadeia. Cada prisioneiro faz a sua decisão sem saber que decisão o outro vai tomar, e nenhum tem certeza da decisão do outro. A questão que o dilema propõe é: o que vai acontecer? Como o prisioneiro vai reagir?
O amor e o casamento não garantem a fidelidade, pois a mesma enquadrasse no nível de ajustamento de condutas do casal, e para tanto, deve ser sempre esclarecida. Não podemos mudar os outros apenas pela nossa intenção, porém com nossas atitudes faremos nossa parte deste acordo.
LEMBRE-SE: sempre haverão justificativas para quaisquer atitudes que tomarmos, assim como existem várias atitudes que podemos tomar diante da mesma justificativa!
E você, que tipo de prisioneiro(a) você é?
5- Todo mundo tem uma metade da laranja
25/6/2008 - 23:18
Desde que comecei a trabalhar com os problemas da conduta amorosa que ouço dois tipos de discurso, e geralmente nas mesmas pessoas, porém em momentos diferentes. O primeiro tem a convicção de que a pessoa que está ao lado é a pessoa que foi destinada a você, que é a metade certa da laranja. O outro discurso é de que não existem metades de laranja soltas por ai, mas que se deve buscar uma até se completar.
Inicialmente deixe-me esclarecer um ponto importante. Se insistirmos na metáfora de metades de laranja perceberemos que tem muita melancia fantasiada de laranja para ter 4 ou cinco metades encaixadas, ou encontraremos outras meias laranjas acompanhadas de meias graviolas (apenas imagine a cena) justificando que fazem isso pois estão esperando a metade certa, mas enquanto esta metade não aparece, não querem ressecar.
Nossos mitos da sociedade contemporânea pregam de que existem pessoas certas para os momentos certos, desde de que mereçamos tal pessoa. Este mito é a base da Meritocracia. Ou seja, merecemos as coisas que recebemos por termos feito por onde alcançar tal resultado. Esta crença irracional faz com que não entendamos, por exemplo, por que coisas ruins acontecem a pessoas boas ou vice-versa. O fato destacado desta meritocracia é de que formamos em nosso imaginário social que o amor é uma coisa boa (e é mesmo!) e de que o responsável por isso, pelo menos em parte, é a pessoa que está ao nosso lado (e é mesmo!), mas as argumentações lógicas param por ai.
Pensar que a pessoa que está ao nosso lado foi predestinada para nós ou pensar que apenas aquela pessoa te dá sentido e razão de vida pode ser explicado por uma visão racional bem apropriada: a Noradrenalina faz com que tenhamos toda esta sensação de êxtase e excesso de energia ao lado da pessoa amada. Porém esta Noradrenalina pode ser disparada milhares de vezes depois com outras pessoas.
É muito bom pensar a partir deste princípio da metade da laranja, e bastante funcional também, pois faz com que invistamos mais na pessoa amada. Mas se o relacionamento chegar ao fim, por que pensar que não pode ser feliz de novo? Ou por que pensar que só se pode ter esta Nora com um companheiro(a)?
Por isso, da próxima vez que seu marido estiver exageradamente romântico com você, falando de almas gêmeas ou de amor eterno e caso você não esteja com muita paciência para as investidas dele, diga a ele para resolver a sua situação com a sua Nora.